"Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra". (Reuven Feuerstein)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014


Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 02 de abril como o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. O interesse pelo autismo cresceu muito nos últimos anos. A mídia colaborou muito para isso e a pressão que os pais começaram a exercer em cima da comunidade médica trouxe avanços significativos. O termo "autismo" vem do grego "autos" e significa o comportamento de voltar-se para si mesmo. É classificado hoje como um distúrbio do desenvolvimento. Suas causas ainda são desconhecidas, mas prevalece a hipótese multifatorial - suas causas seriam múltiplas e não necessariamente a mesma para duas pessoas.

Caracteriza- se como um prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social recíproca, habilidades de comunicação e a presença de comportamento, interesses e atividades estereotipados e repetitivas.

Em relação à comunicação, há um atraso no balbucio, uma falta de linguagem alternativa compensatória desta criança para substituir a fala, a ausência de atitudes e gestos sociais. Na integração social, há um déficit ou uma ausência no contato visual e ausência na reciprocidade. Apresentam comportamentos repetitivos com reações sensoriais pouco comuns de anestesia sensorial ou hiperestesia (grande sensibilidade ao toque).

A intervenção precoce é fundamental para um bom prognóstico. Os tratamentos recomendados atualmente são específicos para cada caso e orientados por equipe multiprofissional. O tratamento farmacológico depende dos sintomas que a criança apresenta.

Em termos psicoterápicos tem se mostrado importante o treinamento em habilidades sociais com a criança e orientação e apoio aos pais. Outros profissionais que podem contribuir para o tratamento são: psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, nutricionista, arte-terapeuta, psicopedagogo, fisioterapeuta entre outros.

Outro processo importante para o bom desenvolvimento da criança tem sido a prática de inclusão escolar. Nos casos das crianças com maior comprometimento, o acompanhamento é realizado em escolas especiais (por exemplo, as APAES).

Independente do tratamento adotado, é importante que a sociedade como um todo aprenda a perceber a criança autista com um criança qualquer: com desejos, expectativas, potencialidades e sentimentos de forma a eliminar preconceitos e garantir o desenvolvimento e integração desses crianças.
No mundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que tenhamos 70 milhões de pessoas com autismo. No Brasil, a estimativa é de 2 milhões de autistas.

A APAE de Itabira atualmente possui 5 salas com 31 alunos com Transtorno Do Espectro Autista – TEA, que caracteriza-se por prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social recíproca, de comunicação e atividades estereotipadas. Trabalha-se com material adaptado e uso dos Métodos TEACCH (o objetivo deste programa é promover a adaptação de cada criança de duas formas interatuantes: a primeira é melhorar todas as habilidades para o viver através das melhores técnicas educacionais disponíveis; a segunda ,na medida em que existe um déficit envolvido, entender e aceitar esta deficiência, planejando estruturas ambientais que possam compensá-la) e o Método PECS (foi criado para atender às necessidades de indivíduos com alterações da comunicação). As salas contam com a professora e uma monitora dentro de cada sala e possui uma equipe multidisciplinar (psicóloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, pedagoga e fonoaudióloga) com coordenação da psicóloga France Jane Leandro. Estamos também iniciando a introdução do Programa LIVOX, este ano, que é um software de comunicação alternativa, para tablets.

É grande o impacto nos profissionais da educação que atuam na escola quando se deparam com as reações dessas crianças que, tanto quanto os professores, estão diante de uma experiência nova. É comum que essas crianças apresentem manifestações de sua inflexibilidade de maneira exacerbada.

Se utilizarmos os subsídios teóricos que se trabalha nas escolas especiais, como o Método TEACCH, PECS, ABA, será mais fácil compreender que, no ambiente escolar, com todos os seus estímulos e vendo-se em meio a muitas outras crianças, a tantas falas e atitudes das outras pessoas que, aliás, não lhe são familiares, a criança reaja assim.

Apesar das iniciativas do MEC, a realidade mostra que alunos autistas ainda encontram dificuldades para acessar e se manter na escola. É necessário o aprofundamento dos esforços conjuntos das instâncias de governos, famílias, instituições representativas e de atendimento especializado para superar essas barreiras.


A APAE de Itabira/MG, no dia 2 de abril, quarta-feira (de 8:00 às 10:30 da manhã e 13:00 às 15:30), estará na Av. João Pinheiro com Rua São José, com seus alunos, familiares e profissionais, panfletando e conscientizando sobre o autismo. Contamos com a comunidade e pedimos que se junte a nós e abrace esta causa.

                       APAE: Funcionários, alunos e familiares, panfletando - 02 de abril 2014 




















domingo, 30 de março de 2014

Número de crianças com autismo aumenta 30% em 2 anos nos EUA


Uma em cada 68 crianças americanas tem autismo, de acordo com as estimativas reveladas nesta quinta-feira (27) pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, o que representa um aumento de 30% em comparação com os números anteriores, divulgados em 2012.
Há dois anos, uma em cada 88 crianças sofria transtornos do espectro autista, segundo o informe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo americano.
Segundo a agência Reuters, os pesquisadores do CDC afirmaram que as informações foram obtidas por meio da análise de crianças de 11 comunidades e podem não representar toda a população nacional. Eles também não investigaram por que as taxas subiram tanto, mas há algumas pistas. Neste último relatório, quase metade das crianças identificadas como autistas tinham QI médio ou acima da média. Há uma década, somente um terço das crianças identificadas como autistas estavam nessa situação.
“Pode ser que os médicos estejam ficando melhores em identificar essas crianças; pode ser que exista um número crescente de crianças com autismo com habilidades intelectuais mais altas, ou pode ser uma combinação de melhores diagnósticos com aumento da prevalência”, disse Coleen Boyle, diretora do Centro Nacional de Defeitos Congênitos e Deficiências de Desenvolvimento do CDC.
Alguns especialistas acreditam que as taxas mais altas refletem o fato de que pais, médicos e professores estão prestando mais atenção no autismo, o que resultaria em mais crianças sendo diagnosticadas com o distúrbio.
Para o estudo, foram avaliados histórico médico, escolar e outros registros de crianças de 8 anos de 11 comunidades americanas para determinar se elas tinham autismo.
O relatório aponta que a distribuição geográfica do número de crianças autistas é irregular: enquanto uma a cada 175 crianças no Alabama tem a doença, em Nova Jersey, o distúrbio foi identificado em uma a cada 45 crianças.
De acordo com esses números, o autismo é quase cinco vezes mais comum em meninos do que meninas. Entre os meninos, um a cada 42 são afetados e, entre as meninas, uma a cada 189 são afetadas. A pesquisa também concluiu que há mais crianças brancas do que negras ou hispânicas afetadas pelo autismo.
Segundo a pesquisa, a maioria das crianças com autismo são diagnosticadas depois dos 4 anos de idade, embora a síndrome possa ser detectada a partir dos 2 anos. “Temos que fazer mais para diagnosticar crianças antes”, diz Coleen. “A detecção precoce do autismo é a ferramenta mais eficaz que temos para fazer a diferença na vida dessas crianças”, garante.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os maiores cérebros do mundo

As mentes mais extraordinárias da Terra pertencem a pessoas que mal conseguem falar ou calçar os  próprios sapatos. Conheça os savants - e o que eles podem nos ensinar sobre os limites da inteligência humana

por Reinaldo José Lopes

Kim Peek lê um livro de 300 páginas em 40 minutos. Uma página com cada olho. Esse americano de 57 anos já leu 9 mil livros, o que dá mais ou menos um a cada dois dias desde a infância. E com uma diferença em relação a você: ele não esquece nada do que leu. Kim sabe de cor a história de todos os países, seus presidentes, quando eles nasceram, quem foram as esposas deles... Recita qualquer trecho da Bíblia, do Alcorão ou da estrutura de um ônibus espacial.

E tudo isso é pouco perto do que o britânico Daniel Tammet faz. Ele simplesmente inventou uma matemática particular. Pergunte para Daniel quanto é, digamos, 27 elevado à 5ª potência. Ele vai responder rapidinho que isso dá 10 460 353 203. Só que sem ter feito uma conta nem decorado nada. Os resultados surgem por mágica na cabeça desse inglês tímido de 29 anos. E ele não é incrível só com números. A rede americana de TV PBS o desafiou a aprender islandês, uma língua que até quem nasceu na Islândia acha complicada, em uma semana. Sete dias depois, Daniel estava num talk show em Reykjavik contando que o idioma deles era “mjög fallegur” (“muito bonito”) – era a 11a das línguas que ele aprendia a falar fluentemente.

Daniel e Kim, diga-se, têm outra coisa em comum além desses superpoderes: os dois são deficientes mentais, diagnosticados como autistas. Kim mal consegue falar, não sabe abotoar a camisa e, quando criança, lhe recomendaram internação para o resto da vida. Daniel é mais comunicativo, um rapaz bem simpático até, mas se sente perturbado quando anda em ruas movimentadas e é tão desligado que não consegue pegar um ônibus sem se perder. E eles não são únicos. Isso de combinar algum problema mental com brilhantismo, ou até genialidade, em certas áreas, é conhecido como síndrome de savant (“sábio”, em francês), uma condição raríssima que desafia as idéias sobre como a mente funciona.

Afinal, ninguém deveria ser capaz de decorar com precisão a quantidade de informações que os savants (vamos chamá-los assim, daqui para a frente) conseguem acessar sem o menor esforço em seus “discos rígidos” cerebrais. Também não parece fazer sentido a maneira como muitos deles lidam com a matemática: fazer contas gigantes é, para eles, uma atividade não consciente, como andar de bicicleta. E se pessoas com inteligência e habilidades sociais normais aprendessem como fazer isso? Será que todo mundo tem um “savant adormecido” dentro do próprio cérebro? É o que veremos a seguir.

Idiotas sábios
A primeira descrição que temos do savantismo foi feita em 1887 por John Langdon Down, psiquiatra britânico mais conhecido por ter feito também o primeiro relato científico sobre a síndrome de Down. Uma das principais experiências de Down com savants envolveu um paciente que conseguia recitar de cabeça o livro O Declínio e Queda do Império Romano, um catatau de 6 volumes. Down batizou os portadores do problema de “idiotas savants” (calma, na época “idiota” era um termo técnico).

Alguma forma extraordinária de memorização parece estar por trás de todos os casos de savantismo, mas é bom qualificar essa afirmação: trata-se de uma memória diferente da que você usaria para decorar um número de telefone, por exemplo. Parece envolver pouco pensamento consciente e, muitas vezes, nem exige compreensão do que está sendo decorado. Darold Treffert, psiquiatra da Universidade de Wisconsin em Madison (EUA), relata o caso de dois gêmeos americanos com dano cerebral congênito, George e Charles, que não conseguiam fazer contas de somar simples, mas se divertiam gritando um para o outro números primos (os que só são divisíveis por 1 e por eles mesmos) de 20 dígitos, da ordem de quintilhões. Em comparação, a sua memória só consegue lidar com 7 ou 8 algarismos. É inconcebível fazer operações mentais conscientes com números desse tamanho.

George e Charles, assim como Kim Peek e vários outros savants, também eram calculadores de calendário. Se você disser a Peek em que dia do mês e ano nasceu, ele responde imediatamente com o dia da semana em que você veio ao mundo.

O preço que se paga para ser um savant é alto. Em geral, esses indivíduos são 10% dos autistas, ou uma a cada 2 mil pessoas que sofreram algum dano no cérebro ou nasceram com retardo mental. Uma grande exceção é justamente Daniel Tammet, diagnosticado com síndrome de Asperger, uma forma moderada de autismo – o portador tem boa capacidade verbal, embora normalmente seja um desastre social.
Além de ser um savant, Tammet também tem sinestesia, uma forma rara de percepção que faz o cérebro misturar sentidos – sons podem ter cores associadas a eles, por exemplo. E isso torna a mente do rapaz ainda mais fascinante. A sinestesia dele é numérica. Ele afirma que todos os números de 0 a 10 mil possuem formas visuais específicas e até personalidades, como se fossem indivíduos mesmo. “O 11 é amigável, o 5 é barulhento e o 4 é meu número favorito, porque é quieto e tímido como eu”, conta Tammet em sua autobiografia.

O britânico também reconhece todos os números primos até 9 973 porque eles lhe parecem “redondos e lisos, como os seixos numa praia”. Ao fazer multiplicações enormes, seu tipo favorito de contas, Tammet visualiza as tais formas dos números que estão sendo multiplicados lado a lado, separados por um espaço. Essa brecha entre os números tem exatamente o formato do produto da multiplicação: basta ele preenchê-la para que ele saiba, em poucos segundos, a resposta certa (veja aqui ao lado).

O neurocientista Vilayanur Ramachandran, do Centro de Estudos do Cérebro de San Diego, testou as formas numéricas de Tammet, pedindo que ele as moldasse usando massinha de modelar e, no dia seguinte, que as refizesse. O resultado foi consistente, ou seja, o rapaz associa sempre a mesma forma ao mesmo número. O inesperado nas capacidades de Tammet é que as pessoas normais tendem a pensar nos números como abstrações puras, enquanto ele os transformou em objetos altamente concretos, coisas tão fáceis de entender intuitivamente quanto um cachorro ou um gato. Esse pode ser um segredo da inteligência savant, de acordo com Darold Treffert. A memória que mais usamos para atividades intelectuais é a consciente, que nos ajuda a lembrar se “espaço” se escreve com s ou cê-cedilha. Mas há outro tipo importantíssimo de memória: a implícita – aquela que nos permite trocar as marchas do carro sem pensar.

Você pode ser um savant
Ao que parece, os danos mentais que os savants têm os deixam sem acesso a grande parte da memória consciente. Então seu cérebro simplesmente transfere as funções dela para a implícita. E eles fazem automaticamente coisas que temos de pensar (e muito) para fazer. É uma capacidade não muito diferente de reconhecer um rosto. Nós nunca precisamos de uma descrição verbal da cara de um amigo para determinar que ele é o Paulo, e não o José: nosso cérebro simplesmente sabe. Para Tammet, os números funcionam assim. E talvez você seja mais parecido com ele do que imagina.

É o que pensa o neurologista Allan Snyder, da Universidade de Sydney. Para ele, existe um Daniel Tammet dentro da sua cabeça. Esse “savant interior”, segundo o autraliano, foi quem fez você aprender a falar. Se você se mudar para a islândia e tiver um filho lá, terá uma criança bilíngüe em casa. Ela vai aprender português em casa e islandês na escola, e falar os dois idiomas. Você pode até aprender a língua local, mas nunca terá a fluência do seu filho.

Essa habilidade mágica de “sugar” um idioma existe apenas na infância porque a mente vai “calejando” com o tempo. Por exemplo: Qem lê um txto scrito dste jto consegue entender a frase porque o cérebro criou padrões para cada uma dessas palavras. Com os sons de um idioma estranho é o contrário: sua mente está tão calejada com o português que decifrar novas línguas de ouvido não é fácil. Já os savants não teriam esse problema. Para Snyder, os danos físicos no cérebro deles impedem que esses calos mentais apareçam. Daí a capacidade de aprender islandês em uma semana.

E a coisa mais maluca aqui é que Snyder quer fazer com que esse savant que um dia esteve na sua cabeça apareça de novo para dar um oi. Como? Aplicando ímãs no crânio. A idéia é “desligar” temporariamente partes da massa cinzenta a fim de simular os danos que os savants têm no cérebro. E assim fazer com que você veja o mundo como se fosse um deles. E não é que deu certo? Snyder fez com que pessoas submetidas ao experimento “virassem savants” por algum tempo, desenhando de forma mais precisa ou encontrando com mais facilidade erros de digitação que o cérebro das pessoas normais costuma ignorar. E o australiano vai mais longe. Ele acredita que novas versões de experiências como essas poderiam despertar a criatividade de gente comum. Afinal, por alguns minutos, poderíamos absorver informações em estado bruto, sem o filtro dos padrões mentais. Aí seria possível usar isso para desafiar idéias preconcebidas e inovar.

Como, aliás, inovaram dois savants famosos: Isaac Newton e Albert Einstein. Não, não existe prova nenhuma de que eles portavam essa condição. Mas alguns neurologistas acham que os dois apresentavam, sim, pelo menos alguns sintomas da síndrome de Asperger – principalmente inabilidade social e obsessões compulsivas. De fato, Newton mal abria a boca e ficava imerso no trabalho a ponto de não comer. E Einstein, que se comportava como um autista até os 7 anos, repetindo frases sem parar, era tão desligado que certa vez não percebeu um terremoto enquanto divagava. Talvez nunca saibamos se eles eram ou não versões moderadas de Daniel Tammet. Mas Einstein pode ter deixado uma pista: “Uso sinais, imagens mais ou menos claras, como ferramentas para pensar. Elas se encaixam sozinhas, voluntariamente. Esse jogo de combinações me parece mais essencial que construções lógicas com palavras”. Foi o que disse certa vez o alemão. Qualquer semelhança disso com o que você leu nestas páginas talvez não seja mera coincidência.

Fonte: Revista Superinteressante



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cuerdas Subtitulado de Pedro Solís García - Fazendo a Diferença

"Somos pela diferença
Respeitando a diferença
Permitindo a diferença
Até que a diferença
Não faça mais diferença"
de Elias Ângelo (ex aluno APAE Itabira)


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Geração tédio

Fevereiro/2014
Clarice Kunsch | Edição 202

Pesquisa realizada pela psicóloga e pedagoga Clarice Kunsch mostra que as crianças podem ficar apáticas se forem excessivamente controladas pelos pais (e professores) e enfrentarem uma agenda cheia de atividades

Marina Kuzuyabu

A falta de encantamento e iniciativa de algumas crianças sempre chamou a atenção da psicóloga e pedagoga Clarice Krohling Kunsch. Professora de uma escola particular infantil de São Paulo (SP), a profissional resolveu encarar a questão e investigar as raízes do problema. Seu palpite inicial era de que o excesso de bens materiais estaria causando essa falta de interesse generalizada, que ela também chama de “tédio existencial”. Sua pesquisa acabou rendendo uma tese de mestrado, defendida em 2013 no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Por meio de observações e entrevistas realizadas com pais e crianças de 5 a 7 anos, a pesquisadora concluiu que, na verdade, a apatia está relacionada com o excesso de controle dos pais sobre seus filhos e com a agenda saturada de atividades enfrentada desde cedo pelos pequenos. Acostumados a cumprir uma rotina puxada – que começa cedinho na escola e se estende até o final da tarde em uma academia ou instituto de esportes, línguas, artes, etc. – e a obedecer a ordens sobre o que fazer e como fazer a todo o momento, os jovens alunos vão, aos poucos, perdendo a iniciativa e deixam de reagir naturalmente.
Na escola, as crianças podem até “travar”, deixando de assimilar conteúdos e de responder prontamente a questões por receio de errar, como explica Clarice na entrevista que segue. “Estou falando de uma minoria, mas é uma minoria que, do meu ponto de vista, não deveria existir”, especifica. Clarice também fala sobre os impactos de se adiantar conteúdos na Educação Infantil e sobre a expectativa exagerada dos pais em relação ao futuro de seus filhos.
Como se deu o processo de realização do estudo? Com quantas crianças você trabalhou e qual era o perfil delas?
Fui para uma escola particular de nível socioeconômico alto, em São Paulo, e convidei todos os alunos com idades entre 5 e 6 anos para participar. Das 40 solicitações enviadas às famílias, tive retorno de apenas nove. Para ampliar o universo pesquisado, estendi o convite aos alunos da 1ª série do ensino fundamental, que têm idades entre 6 e 7 anos. No total, entrevistei 30 crianças e 14 pais. Na abordagem com os adultos, investiguei como era a rotina de seus filhos, quais eram os hábitos de consumo da família, como aproveitavam os finais de semana, que tipos de viagens realizavam, como comemoravam as datas de aniversários, enfim, qual era o perfil de consumo deles. Em um segundo momento, parti para um levantamento a respeito dos sentidos que a família atribuía a determinadas coisas, quais eram as expectativas em relação ao futuro dos filhos e como eles percebiam a criança em casa.

E como foi o contato com as crianças? Como elas contribuíram com sua pesquisa?
Tinha planejado ouvir apenas os pais, mas depois percebi que seria interessante também escutar a criança para ter o ponto de vista delas. As entrevistas foram mais simples, mas, da mesma forma, procurei saber o que elas faziam fora da escola e quais eram seus interesses. A pesquisa também foi feita com base em observações dos alunos dentro da rotina escolar.
Você conta que percebia um desinteresse por parte de algumas crianças durante as atividades realizadas na escola. Como você entendia esse problema antes da investigação que realizou?
Quando comecei minha pesquisa, acreditava que o problema era o consumismo, o excesso de bens. Como muitas crianças de hoje têm de tudo, achava que o mundo estava se tornando desinteressante para elas por essa razão. Mas conforme avancei nas entrevistas e nas observações na escola, fui percebendo que a criança pode ter muita coisa e se relacionar com aquilo de forma saudável. Hoje vejo que o problema está na maneira como a vida é consumida. Vejo um número cada vez maior de famílias encarando os filhos como um projeto. Outro dia escutei uma mãe dizer: “pago escola, psicopedagogo, fonoaudiólogo e meu filho não melhora as notas”. Mas ele não é uma mercadoria ou um projeto que você desenvolve dentro de uma empresa e que se fizer tudo certo ele será bem-sucedido.
Hoje se discute muito que as crianças não têm limites. Mas sua pesquisa mostra justamente o contrário: que há excesso de limites.
Realmente há mais limites. As crianças estão cada vez mais institucionalizadas, envolvidas em atividades dirigidas por outro adulto. Isso acontece porque, em várias famílias, tanto o pai como a mãe trabalham fora. Muitas vezes, eles não têm um profissional de confiança para cuidar de seu filho depois que ele volta da escola e aí acabam mandando-o para um clube ou para uma escola de idiomas, por exemplo, porque sabem que naquele local ele estará seguro. Assim, ele fica sob a intermediação de um adulto o dia inteiro. É claro que uma criança precisa disso. Isso é necessário para a integridade, para a segurança física dela. Mas o problema é que ela fica o tempo todo ouvindo o que fazer. Em casa não é diferente: alguns pais determinam qual é a hora de brincar, de desenhar, etc. Tem muito pai e mãe supercontrolador e superprotetor.
Como você apontou, esse excesso de atividades extracurriculares está relacionado com o estilo de vida moderno das grandes cidades. Considerando que essa é a realidade de muitas famílias brasileiras, como contornar o problema?
Sempre falo para os pais: não é a vida da criança que determina a realidade familiar, mas o contrário. Se os dois trabalham, é necessário se adaptar, claro. Mas é preciso investigar o que está motivando os pais quando colocam seus filhos para fazer uma atividade. É por segurança? Competição? Expectativa? Entre os pais hoje há uma expectativa muito grande para criar os gênios do futuro, os próximos presidentes de empresas. Então, esses pais vão procurar aulas de mandarim, por exemplo, porque dizem que essa é a língua do futuro. Mas isso é uma previsão, ninguém sabe ao certo qual será a demanda para isso. Também existe uma competição entre as famílias, que não é escancarada, mas está ali. Os pais veem que o coleguinha do filho está fazendo uma atividade e logo pensam que deveriam colocar o deles para também fazer alguma coisa. Então, reforço, é preciso ver quais são os valores que estão permeando essas decisões e ficar atento às reações da criança. Tem criança que aguenta uma batelada de coisas, mas tem criança que não. É preciso respeitar o limite de cada um.

E como o tédio se manifesta a partir dessa situação? Quais são as consequências disso?
Por estarem o tempo todo fazendo alguma coisa, com alguém por perto controlando, as crianças ficam sem saber o que fazer quando se veem sozinhas, à toa. Cada vez mais você encontra crianças que perguntam “agora brinco do quê?, agora faço o quê?”. Mas como isso é possível, não saber o que fazer na própria casa? Crianças saudáveis do ponto de vista mental e físico se envolvem com qualquer coisa. Mas os jovens com sinais de tédio precisam de um empurrãozinho; não têm criatividade e espontaneidade, características que considero fundamentais na infância. É claro que tem aquele tédio comum, que acontece quando você está na fila do banco, no aeroporto ou em qualquer outra situação sem fazer nada. Mas tem aquele tédio existencial que é mais profundo. É um pouco exagerado falar assim, mas vejo tédio na criança quando ela não se interessa por nada e fica esperando alguém que traga ideias, que diga o que fazer.
A criança deve então ser deixada sozinha mais vezes? Por que é importante dar esse espaço para elas?
O adulto tem de estar presente, mas estar presente não significa estar ao lado. A mãe pode estar no quarto e a criança na sala brincando. Não precisa estar junto, vigiando. Brincar é um processo que se aprende, que precisa da mediação de alguém no começo, mas depois a criança deve ser deixada sozinha para enfrentar o desafio de fazer aquilo de forma independente. Isso favorece a criatividade, a espontaneidade e também a fantasia. Para uma criança, um carrinho não é só um carrinho. Aquilo pode voar para ela. Mas dependendo de quem fizer a mediação, essa fantasia pode ir por água abaixo. Como o adulto tem a tendência de apresentar as coisas mais prontas, a possibilidade de a criança fazer suas próprias descobertas é eliminada nesse contato. E hoje tem alunos pequenos que já perderam a capacidade de fantasiar. Você mostra um bichinho de pelúcia e eles não veem nada além daquilo. Então me pergunto: para onde está indo esse encantamento? É esperado que a escola fique muito chata mesmo nesse contexto.
Quais são os impactos desse desinteresse no desenvolvimento das crianças e, principalmente, no aprendizado?
Entrevistei uma criança que tinha uma agenda muito lotada. Conversando com seus professores, eles relataram que ela “trava”. É tanto conteúdo que ela não consegue administrar. Pode surgir também insegurança. O aluno só se expressa quando tem certeza do que está falando, o que é ruim para a sua espontaneidade. Isso está relacionado à expectativa dos pais. Ele sente essa pressão e fica com medo de falhar. Esse sentimento começa a “atropelar” o seu desenvolvimento e a coisa deixa de fluir.
Como essa realidade está se refletindo nas escolas? Os professores também estão superprotetores e supercontroladores?
Não sei se é um movimento dos professores, mas volta e meia ficamos sabendo de escolas que estão promovendo brincadeiras na hora do recreio. Acho triste saber que há alunos precisando de alguém para contar histórias, de alguém que ofereça materiais porque senão eles não conseguem brincar, não sabem o que fazer. Acredito que na escola deve haver momento dirigido, que acontece na sala de aula, e também o momento livre para o aluno fazer o que ele quiser, se relacionar com quem quiser, brigar com quem quiser, ficar sozinho... Isso é fundamental. Mas acredito que isso está relacionado às expectativas sociais. As escolas estão respondendo à demanda de alguns pais, que não querem pagar uma escola para deixar seus filhos “apenas” brincando. Também vejo que há uma pressão cada vez maior para que a alfabetização seja antecipada, o que é uma bobagem.
Quais são as consequências de uma alfabetização antecipada?
A gente sempre brinca: quem, em uma entrevista de emprego, teve de responder com que idade foi alfabetizado? A resposta é mais uma prova de que isso não faz diferença nenhuma. Mas muitas escolas estão mudando o currículo em função dessas demandas do mercado. Os pais, por uma questão de vaidade e competição, também querem uma escola que alfabetize seus filhos aos três, quatro anos. Com isso, muitos conteúdos estão sendo antecipados, mas mais por uma cobrança social. É claro que a criança tem capacidade para aprender, mesmo nessa fase, mas me pergunto: por quê e para quê? Não faz nenhuma diferença ser alfabetizado com 4, 5, 6 ou 7 anos. Mas aquela que foi alfabetizada com 4 ou 5 anos deixou de brincar para aprender a ler e escrever. Mas se ela não brincar, não se sujar nessa fase, não vai ser no ensino fundamental que ela vai fazer isso.
Durante sua pesquisa, você também teve tempo de conversar com os professores. Pelo que você notou, eles também estão atentos ao problema da apatia?
Estão atentos sim. Mas vejo que na avaliação que eles fazem a respeito do problema há muitas crenças envolvidas. Muitos acham que o problema é o uso de equipamentos eletrônicos. Também tem profissionais que acham que as crianças que têm algum tipo de dificuldade são aquelas em quem você percebe mais desinteresse. Mas isso não é verdade. Não dá para pensar que a criança não se interessa tanto porque tem dificuldade ou porque ela só gosta de videogame. Falta às vezes um olhar individual para aquele aluno.
Quais contribuições os professores podem dar para frear ou reverter o problema?
Acho que se deve começar com uma mudança de olhar para deixar de enxergar aquela criança como alguém adoecido. Depois disso, os professores devem avaliar a rotina dela e aí alertar quem está envolvido com ela. O que os pais vão fazer com a informação não dá para controlar e o professor tem de saber lidar com essa frustração. Mas o importante é nunca deixar de falar, nunca deixar de apontar. Também ressalto que é preciso ter cuidado para não creditar o problema ao excesso de televisão ou de videogame. Esse não é o caminho. Tem de olhar para aquela criança e tentar entender o que está acontecendo verdadeiramente. Em sala de aula, o professor pode orientar suas práticas para criar mais momentos de estímulo à criança que a motivem a participar mais, apresentar soluções, enfim, a se virar. Essa geração que está entrando agora no mercado de trabalho já quer as coisas prontas. Se nada mudar, vai faltar uma reação mais espontânea às demandas lá na frente.



Fonte:http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/202/geracao-tediopesquisa-realizada-pela-psicologa-e-pedagoga-clarice-kunsch-mostra-304781-1.asp

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Infância não é carreira e filho não é troféu

Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem fazer parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de outros. E isso sim seria então sinal de adequação e o mais importante: de sucesso.

O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação de filhos, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.
Segundo Alicia Bayer, no artigo publicado em um conhecido portal de notícias americano – The Huffngton Post -, o que não só a entristeceu mas também a irritou foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.

Para contrapor às listas indicadas pelas mães, em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100, Bayer organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem que uma criança deve saber.
Veja alguns exemplos abaixo:

  • Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.
  • Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
  • Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.
  • Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.
  • Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
  • Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
  • Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.
  • Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.

E ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:

  • Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
  • Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
  • Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.
  • Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.

Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?
Muito menos do que pensamos e muito mais!


Como introduzir atividades de integração sensorial em casa

As crianças são atraídas pelos estímulos ambientais

Atividades de integração sensorial são necessárias para o desenvolvimento da criança, independente de ter ou não transtorno de processamento sensorial (TPS). As crianças são atraídas pelos estímulos ambientais, então satisfaça este desejo delas! Essas atividades são bem fáceis e divertidas, além de promoverem o adequado desenvolvimento neurológico nas crianças. Sua criatividade é o limite, então mãos à obra!

Nível de Dificuldade:
Moderadamente desafiante

Introduza atividades de integração sensorial com uma mente aberta. Dê a seu filho escolhas, e permita que preferências dele guiem as atividades, assim ele participa e coopera com o que foi proposto.
Crie uma rotina de atividades com as crianças, deixe que elas saibam o que vem a seguir. Isto ajuda a mantê-las calmas e no controle, pois não serão "surpreendidas" pelo estímulo extra sensorial.
O trabalho com texturas é super agradável e gratificante, e as crianças gostam de explorar atividades diferentes com o estímulo tátil. Tocar e brincar com uma variedade de texturas é fácil e divertido. O uso de massas de modelar cria na criança a capacidade de manipular e fazer experiências com texturas. Deixe-as colocarem brinquedos como pauzinhos, palitos ou cotonetes na massa para testar as diferentes formas e texturas - quem tal brincar de fazer um bolo de aniversário de massinha?

Mexa-se! Crianças que têm dificuldade para administrar seus níveis de energia desfrutam de atividades de força e movimento, que ajudam elas a se acalmarem. As melhores atividades são aquelas em que a criança está em constante movimento, usando seus músculos. Isso inclui empurrar, puxar, bambolear, balançar, pular e cavar terra ou areia. Antes de atividades que requerem energia e movimento, faça sempre uma atividade sentada no chão, como contar uma estória, ler um livro.
Brincar na areia e surfe. Outra grande atividade tátil é brincar com água e areia. As crianças podem brincar por um período longo, criando e testando diversas texturas. Seja criativo e divirta-se com a bagunça. Use areia, água, arroz, milho, creme de barbear e qualquer outra textura que você imaginar. As crianças vão adorar, e a bagunça é fácil de limpar.

Tente usar os brinquedos de corda ou a pilhas. Muitas crianças adoram a experiência sensorial de brinquedos que vibram, uma escova elétrica, cadeiras ou almofadas vibratórias. Estes objetos podem ser usados para acalmar ou estimular a criança com problemas sensoriais.
Se você não tem tempo para bagunça ou para se dedicar a uma atividade em particular, permita que a criança a ajude com as tarefas domésticas. Cozinhar, assar, lavar roupas, varrer a casa e fazer limpeza são grandes atividades de integração sensorial. Você faz seu trabalho e ainda conta com uma ajuda. Olha que bela troca!

.Dicas & Advertências

Atividades de integração sensorial não se parecem com "terapia", elas são como una brincadeira normal e as crianças adoram!
Essas atividades não precisam ser caras e nem compradas, embora existam muitos brinquedos e atividades para uso na integração sensorial disponíveis para aquisição. Tudo o que você precisa é usar sua criatividade e os materiais que tem em casa. Prepare-se para muita diversão!

Você conhece os gostos de seu filho, então não o force a fazer uma atividade. Dê a ele escolhas e deixe as preferências dele te guiarem.
Se ele se distrai com facilidade, é super desastrado ou hiperativo, pare a atividade e faça outra mais relaxante para acalmá-lo.
Se ele apresenta medo ou desconforto, pare a atividade imediatamente. Isto é o sistema nervoso da criança reagindo ao estímulo, e ela não tem controle sobre ele.



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Em crianças com autismo, imagens e sons estão dissociados

Em crianças com autismo, imagens e sons estão dissociados (com videos)

O mundo para crianças com autismo pode assemelhar-se a assistir a um filme com áudio dessincronizado, sugere um novo estudo.
A nova pesquisa mostra que essas crianças têm dificuldade em juntar o que vêm com o que ouvem, e que esses déficits podem estar por trás dos seus problemas de fala e comunicação.
Para a maioria das pessoas, os sinais que chegam ao cérebro dos ouvidos e dos olhos movem-se dentro de uma janela de tempo de 100 a 200 milissegundos, sendo colocados juntos, para formar uma percepção. 
Por exemplo, ao ouvir o som de uma palavra e ao ver o movimento dos lábios cria-se a percepção de uma palavra falada. O novo estudo mostrou que em crianças com autismo, a janela de tempo para os sinais que une é mais ampla. 
Tal fato significa que o cérebro integra os eventos que aconteceram com discrepâncias de 500 milissegundos, e que deveriam ter sido percebidos como eventos separados, de acordo com o estudo. Os resultados foram publicados a 14 de janeiro no Journal of Neuroscience.
"Crianças com autismo têm dificuldade na integração de informações simultâneas dos seus olhos e ouvidos", disse o pesquisador Stephen Camarata, da Universidade de Vanderbilt, em Nashville, EUA. "É como se estivessem a assistir a um filme estrangeiro que foi mal dobrado", acrescentou.
Além disso, os pesquisadores descobriram que quanto maior a janela de tempo, mais pobre é a capacidade da criança a ligar corretamente os movimentos labiais à expressão - um mecanismo importante na aprendizagem de línguas.
O novo estudo incluiu 32 crianças típicas e 32 crianças com autismo de alto funcionamento, com idades entre 6 e 18 anos. Os pesquisadores usaram estímulos simples auditivos e visuais, como flashes e beeps disparados por um computador, e também estímulos ambientais mais complexos, tais como palavras faladas e um martelo a bater um prego. 
Os cientistas pediram aos participantes para dizer se os acontecimentos visuais e auditivos ocorriam ao mesmo tempo. Numa série de experiência, os pesquisadores usaram uma ilusão de flash induzida pelo som, em que o ouvir dois bips engana a maioria das pessoas a pensar que viram dois flashes quando apenas um clarão apareceu na tela.

Para a ilusão funcionar, os sinais sonoros devem ocorrer quase simultaneamente com o flash, dentro de uma janela de 200 milissegundos. Se os bipes e flash ocorrem a uma maior distância, os eventos auditivos e visuais permanecem separados na mente.
No entanto, "no autismo, se o flash e os sinais sonoros forem dessincronizados até metade de um segundo de intervalo, as pessoas continuam a dizer que há dois flashes", disse Camarata. Em seguida, os pesquisadores usaram uma outra ilusão bem conhecida, chamado de efeito McGurk.
Nesta ilusão audiovisual, em que o componente visual de um som está acoplada com o componente auditivo de outro som, as pessoas ligam ambos os sinais e percebem um terceiro som. Por exemplo, quando um ator diz "ga-ga", mas o áudio dobrado sobre a sua voz diz "ba-ba", as pessoas relatam ouvir "da-da".

No novo estudo, para as crianças com autismo era menos provável ​​juntar ambas as informações e relatar um terceiro som. Além disso, quanto mais pobre a sua acuidade na primeira tarefa flash- beep, menor era a sua capacidade em combinar a informação auditiva e visual na segunda ilusão.
Insights a partir dos resultados podem ajudar a melhorar as terapias para crianças com autismo que têm dificuldades de comunicação, disseram os pesquisadores. "Se conseguirmos corrigir mais cedo esse défice na função sensorial, então talvez possamos ver os benefícios na linguagem e comunicação e interações sociais", disse o pesquisador Mark Wallace, diretor do Instituto do Cérebro de Vanderbilt.
Terapias possíveis podem incluir o treino do cérebro para reduzir a janela de conexão, ou, ao ensinar a linguagem, apresentar as palavras de uma forma que elas sejam muito salientes, disse Camarata.
"Por outras palavras, quando eu aponto para a minha xícara de café, eu poderia fazê-lo uma e outra vez, num ambiente claro, aumentando as chances de que a palavra copo fosse vinculada à imagem da taça", concluiu.


sábado, 28 de dezembro de 2013


               FELIZ OLHAR NOVO! (Carlos Drumond de  Andrade)


"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?

Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?

O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!

Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.

Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"

Que as luzes do Ano Novo brilhem e tragam a todos vocês, meus amigos, novos Desafios, novos Projetos e muito Sucesso!

Que as conquistas no Ano Novo, cheguem na sua vida como confetes: Abundantes, Alegres e festivas...

                                                   FELIZ ANO NOVO!!!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Neste Natal o nosso maior desejo é que os nossos corações estejam plenos de esperança e que as nossas almas nos movam sempre em direção ao bem comum. Que o amor nos ilumine e que cada gesto, cada uma das nossas palavras tenham o dom de nos trazer paz e felicidade. Que o Natal inspire na busca da harmonia e da paz. Que este espírito prevaleça sobre o mal e nos ajude a promover a concordância e a aceitação entre todos os seres humanos.
É com muita satisfação que desejamos a todos os colaboradores, leitores e seguidores do blog, um feliz Natal e um próspero Ano Novo cheio de muitas felicidades e realizações.

domingo, 17 de novembro de 2013

sábado, 16 de novembro de 2013

O DESAFIO DO AUTISTA NA EDUCAÇÃO

A criança autista tem que lidar com muitos estímulos visuais, auditivos e sensoriais que passam despercebidos para os alunos neurotípicos, ou “normais”, como explicou a psicóloga Sandra Roos. Para as crianças com transtorno do espectro autista, tais estímulos incomodam, agridem, representam mais um desafio. O próprio processo educacional, de acordo com a especialista, não é pensado nesses termos. “Não existe uma adaptação até que ela seja exigida”, afirmou. Mãe de uma menina com 12 anos de idade com transtorno do espectro autista, a psicóloga enumerou algumas das dificuldades enfrentadas nas escolas, tais como as necessidades especiais em relação à coordenação motora fina para o aprendizado da escrita; a adequação da iluminação da sala de aula, uma vez que as crianças autistas percebem e se incomodam com a luz trêmula das lâmpadas fluorescentes muitas vezes já velhas e gastas; a necessidade de um ambiente que não disperse sua atenção, devido à dificuldade de concentração em geral experimentada por essas crianças; e a redução do barulho em sala de aula, dada a maior sensibilidade auditiva. “Mas, na prática, isso não acontece”, afirmou. “Digo isto tudo pensando na minha filha e em seu ‘grau’ de autismo, que é leve e a permite participar do processo de inclusão. Mesmo para ela, as escolas não estão preparadas e os pais, via de regra, é que tem que lutar pelos direitos de seus filhos especiais”, disse Roos ao lembrar que, por lei, todas as crianças matriculadas nas escolas municipais e estaduais têm o direito de serem acompanhadas por auxiliar em sala de aula, sejam essas crianças autistas ou tenham outras deficiências comprovadas por laudo médico. “As escolas não têm hoje nem salas de aula nem profissionais preparados para atendê-las em suas necessidades. Professores e auxiliares estão se virando sozinhos, sem apoio ou preparação prévia”.
Marisa Furia Silva é uma das fundadoras da Associação dos Amigos do Autista de São Paulo – AMA SP, é presidente da Associação Brasileira de Autismo – ABRA e integra o Conselho Nacional de Saúde. Também tem um filho autista e há 30 anos milita em prol das políticas públicas para as pessoas com transtorno do espectro autista. Em relação a esse tempo, Silva observa que pouco se avançou. Segundo ela, o primeiro documento do governo brasileiro a referir-se ao autismo é uma portaria do Ministério da Saúde de 2002. Em 2009, o Estado brasileiro ratificou a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, documento que toma a acessibilidade como conduta para a garantia dos direitos individuais. Dois anos mais tarde, foi lançado o Viver sem Limite: Plano Nacional de Direitos da Pessoa com Deficiência e, no final de 2012, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo passou a considerar, para todos os efeitos legais, o autista como pessoa com deficiência. Resultado da mobilização social de movimentos e associações de pais de autistas, tal processo conquistou, em 2013, como um de seus resultados, a publicação, pelo Ministério da Saúde, das Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo. No documento, salienta-se que, para que a atenção integral seja efetiva, as ações devem estar articuladas entre a rede do Sistema Único de Saúde, os serviços de proteção e assistência social e os de educação. “Com a lei, os autistas estão garantidos na política da pessoa com deficiência, o que é muito importante”, afirmou Silva referindo-se à política nacional sancionada no final de 2012, que, entre outros pontos, tornou obrigatória a matrícula de alunos com o transtorno em todas as escolas.

Por outro lado, a especialista lembrou que, antes de serem autistas, tais crianças são cidadãs e, portanto, tal documento trata da reafirmação de um direito já garantido. A inclusão no sistema público de educação, no entanto, é ainda, na avaliação de Silva, um grande problema. “A inclusão da pessoa com autismo é uma inclusão específica”, salientou. Da mesma forma, as creches são fundamentais para o diagnóstico precoce. “A creche tem que estar preparada para um atendimento junto com a Saúde e com a Assistência Social. Sendo feito esse trabalho específico com essas crianças, não há dúvidas de que sua inclusão será menos traumática para elas, para as famílias, para os outros alunos e para os professores”, disse. Segundo a psicóloga Sandra Roos, os benefícios terapêuticos da inclusão de crianças autistas nas escolas regulares encontram-se na área da sociabilização. “Convivendo com outras crianças e sendo incluídas nas salas normais elas têm que se adaptar às regras, aos combinados, e aprendem a se comportar de uma forma tradicional. Porém, eu só vejo benefícios se elas forem ‘respeitadas’ em suas particularidades e nunca forçadas a se relacionarem ou se comportarem como as outras. É preciso entender que seu funcionamento cerebral é diferente e não forçar, não impor. Elas devem se relacionar com outras crianças ‘quando’ e ‘se’ quiserem, pois não têm a mesma vontade ou necessidade dessa relação”, explicou a especialista. “Esse é um dos pontos em que a minha filha mais é cobrada na escola. Tenho sempre que orientar que o ‘normal’ não é obrigatório e que ela deve ser deixada sozinha se assim quiser, que ela se sente bem assim. Isso causa estranheza e ‘incomoda’ os outros, assim como tudo o que é ‘diferente’”, disse.

Para a psicóloga, a inclusão pode não ser o melhor caminho em casos mais graves, em que a criança não fala, não escreve e não se comunica por meio de figuras ou outros modos possíveis de serem utilizados em sala de aula. “Gostaria que os pais entendessem isso, a criança pode ser discriminada muito mais do que aceita e ela sofre com isso. Há relatos de mães de autistas que, após tentarem a inclusão, ouviram dos próprios filhos o pedido de mudança para uma sala especial, pois eles não se sentiam bem no meio dos outros”, disse. Tanto a psicóloga como a presidente da ABRA concordam que é urgente preparar as escolas e capacitar professores e equipes técnicas. Ambas afirmaram, também, que a luta pela garantia dos direitos das crianças autistas é travada pelos pais, que muitas vezes são obrigados a recorrer à força da lei para que seus filhos tenham acesso à educação. “Se o aluno for aceito [na escola] e não receber a educação dada aos outros, a inclusão é falsa, é só fachada. Alunos mais comprometidos que são separados e enviados a salas de recursos ou retirados das salas de aula por incomodarem os outros – ou se incomodarem com os outros – não estarão recebendo o que foram buscar na escola. É comum deixarem estes alunos ‘perambulando’ fora das salas de aula porque eles não conseguem permanecer nelas. É preciso conscientização e informação, educar professores e comunidade a respeito das características e particularidades dos alunos autistas”, afirmou Roos. Para Silva, é fundamental o apoio de políticas públicas no atendimento, que é oneroso para as famílias. “É um custo que o governo tem agora que minimizará custos futuros, pois as pessoas se tornarão adultos menos comprometidos. Nessa área o Brasil também acordou há pouco, ainda temos muito trabalho pela frente”.

Crédito: Blog Educação/Bernardo Vianna