"Não devemos permitir que uma só criança fique em sua situação atual sem desenvolvê-la até onde seu funcionamento nos permite descobrir que é capaz de chegar. Os cromossomos não têm a última palavra". (Reuven Feuerstein)

domingo, 31 de outubro de 2010

Autismo e Distúrbios do Sono

Não é incomum para as famílias afetadas pelo autismo a estar no "horário de dormir menos, trabalhar mais", para muitos, acaba de se tornar um modo de vida. No entanto, existem maneiras de melhorar o seu horário de sono, resultando em agilidade, desempenho, memória, concentração, melhor saúde e humor para você e seu filho com autismo. Este artigo é uma revisão das técnicas discutidas, pesquisada e utilizada pelo Dr. . Terry Katz (2010), uma especialista em autismo, distúrbio do sono. 

Verifica-se que até 83% das crianças com autismo têm distúrbios de sono! - Isso é uma epidemia e Katz explica que "o sono é necessário lembrar o que aprendemos, organizar nossos pensamentos, se envolver em tarefas de funcionamento executivo, a reagir rapidamente, a trabalhar com precisão e eficiência, pensar abstratamente, e para ser criativo ", (2010). Eles se aplicam a todos os indivíduos com e sem deficiência. Os recém-nascidos precisam de até 20 horas de sono por dia, as crianças pequenas precisam total 13 horas, as crianças em idade escolar precisa de 10 horas, e os adolescentes devem receber pelo menos 9 horas de sono por noite para se sentir descansado e executar o seu melhor no dia seguinte.

Existem várias maneiras em que as sugestões do nosso ambiente nos mostram quando ele é e não é adequado para dormir ou quando ficar cansado, estes sinais são chamados zeitgebers e literalmente significa "doadores do tempo." Zeitgebers incluem luz, sinais do tempo, e as demandas sociais. Zeitgebers para crianças com autismo por causa de distúrbios de integração sensorial, a incapacidade de dizer o tempo, e incapacidade para captar os sinais sociais, resulta na alta porcentagem de problemas do sono das famílias. Além zeitgebers, crianças com autismo também têm ritmo de sono e alterações de neurotransmissores, bem como a ansiedade.

Um estudo realizado por Malow em 2006 concluiu que alterações do sono podem resultar em diminuição do isolamento social, diminuição da ansiedade e diminuição da reatividade emocional. Assim, a pergunta é: "como podemos melhorar nosso sono?" O primeiro lugar para começar é em estratégias comportamentais e ambientais, incluindo mas não limitado ao seguinte:


  • Recompensas para dormir durante a noite
  • Consistente tempo para acordar (sim, mesmo nos fins de semana)
  • Eliminação de cochilos
  • Aumento da atividade física durante o dia
  • Aumento da luz natural durante o dia
  • Consistente hora de dormir (mesmo nos finais de semana)
  • Consistente deitar rotina
  • Participação em atividades de calmantes no prazo de 2 horas antes de dormir
  • Redução da luz dentro de 2 horas antes de dormir
  • O uso de um esquema visual

Verifique se você está ciente do ambiente do quarto do seu filho. Preste atenção à temperatura, quantidade de luz e ruído na sala. Um quarto deve ser utilizado apenas para dormir. Se um quarto das crianças é também a sua sala de jogos, então eles vão associar esse espaço com o que é mais motivante e gratificante - Play. 

Além disso, a consistência do ambiente é a chave tanto para adormecer e permanecer dormindo. Quando uma criança adormece precisa ser consistente durante toda a noite para que eles fiquem adormecidos.Todo mundo dorme e acorda a cada 90 minutos durante toda a noite, naturalmente. Se o ambiente não é consistente durante toda a noite, então pode ser difícil voltar a dormir. Por exemplo, se uma criança só dorme em seus braços, seu corpo vai acordá-los durante toda a noite e que a criança vai rastejar de volta em seus braços no meio da noite para sentir o mesmo conforto que sentiam no início da noite . 

Uma grande intervenção comportamental que eu encontrei para ser muito útil é "A passagem das horas de dormir" (Katz, 2010). As crianças podem usar uma hora de dormir passar para deixar o seu quarto durante a sua hora de dormir, se é para usar o banheiro ou a cama com a mamãe e o papai. Os pais estão no controle de quantos passes que permitem aos seus filhos e são capazes de reduzir o número de passes de deitar, como o sono se torna progressivamente melhor e mais consistente. Se a criança não usou todos os passes na hora de dormir e ficou na cama durante a noite, eles podem se transformar em sua passagem na parte da manhã para um prêmio. Este programa é muito gratificante e eficaz para crianças jovens e idosos, com e sem deficiência, que estão tendo dificuldade para adormecer e ficar dormindo durante a noite. 

Outra intervenção que deve ser discutido com seu médico é a adição de suplementos de melatonina ou serotonina. A melatonina e a serotonina são produzidos naturalmente no organismo, mas foi dito que as crianças com autismo apresentam distúrbios na produção destes produtos químicos. Melatonina diz ao corpo quando ele está cansado e serotonina é necessário para o organismo a produzir a melatonina. Então, se você tentar um suplemento de melatonina e você não vê nenhum resultado, fale com seu médico sobre suplementos de serotonina. 

Use essas estratégias intenção de tentativa e erro. Certifique-se de manter um diário do sono, para que sejam capazes de acompanhar o que funciona e o que não funciona. Gradualmente, você irá ver um aumento no sono que melhorou e, portanto, um aumento em sua qualidade de vida global. 

Referências:
Katz, T. (2010). Comportamental tratamentos para problemas do sono em indivíduos com SD-ASD. Denver, Colorado: Conexão Conferência Anual Autismo-DS.

sábado, 23 de outubro de 2010

A TODAS AS MÃES CORAGEM
De onde vem a força das mulheres que têm filhos especiais?
CRISTIANE SEGATTO
 Reprodução
CRISTIANE SEGATTO 
Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo
“Conheça a vida selvagem: tenha filhos”. Sempre me divirto quando vejo esse adesivo colado no vidro de algum carro. Essa frase é a mais pura verdade. A maternidade nos aproxima das fêmeas de todas as espécies. Em nenhuma outra fase da vida percebemos tão claramente o papel animalesco que a natureza nos reserva.Viramos leoas que se desdobram para cuidar da cria, alimentá-la, protegê-la e – principalmente – amamentá-la. 

Sim. Não importa se a mulher é uma executiva empertigada, uma intelectual inatingível, uma operária calejada. Quando o filho nasce, ela vira um peito. Ou melhor: dois. Nada do que a mulher fez na vida ou ainda pretende fazer tem importância diante da função especialíssima de ser a única fonte de alimento de um ser que acabou de chegar. Um ser que vai crescer, ajudar a povoar o mundo e tocar em frente a grande aventura do Homo sapiens

Quando eu amamentava a Bia (hoje uma moça de 10 anos) eu me sentia um par de peitos. Nas primeiras semanas, ela mamava a cada hora e meia. Eu vivia para isso. Minha função nesse mundo – de manhã, de noite, de madrugada – era amamentar. E, claro, trocar fralda, embalar, acalmar o choro, dar banho, lavar roupa etc, etc, etc. Quando ela mamava e dormia, eu ganhava uns 90 minutos de folga. Aí não sabia o que fazer com eles. Tomar uma ducha? Almoçar? Colocar as pernas para cima? 

Eu era tão “sem noção” que três dias antes da Bia nascer fui à livraria comprarGuerra e Paz. Achava que a licença-maternidade fosse uma espécie de período sabático, o momento ideal para ler aquelas 1.349 páginas que faziam tanta falta na minha cultura geral. Tolinha. Só fui conseguir preencher essa lacuna quando ela completou três anos. 

Os primeiros tempos da maternidade foram, sem dúvida, a fase mais selvagem da minha vida. Acordava cheia de energia, pulava da cama e, quando a Bia deixava, tomava um banho revigorante. Às 7 horas tomava um café da manhã reforçado enquanto assistia ao Bom Dia Brasil. Depois passava o dia inteiro em função da cria. Decidi que nos primeiros meses não pediria ajuda a mãe, sogra ou babá. Queria ser mãe em tempo integral. Queria ter liberdade para errar, acertar, aprender. 

Naquele inverno de 2000, meus dias eram amamentar. Nos intervalos, corria para o tanque (que ficava no quintal, ao ar livre) e lavava na mão, com sabão neutro, a montanha de roupinhas frágeis de bebê. O vento gelado batia no meu rosto, mas eu tinha uma disposição para cuidar das coisas da minha filha que só a natureza pode explicar. Meu gasto calórico devia ser brutal. Almoçava pratos gigantescos e, ainda assim, só emagrecia. No Spa da Selva, perdi rapidamente mais de 10 quilos. 

À noite, a pilha acabava. Às 22 horas, estava exausta. Dormia profundamente e mal conseguia abrir os olhos durante a mamada da meia-noite. Eu e o pai da Bia desenvolvemos uma técnica animal. Eu levantava um pouco o tronco e recostava no travesseiro. Ele segurava a Bia e acoplava a boca dela no meu peito. Ela mamava, eu dormia. Ele ficava com ela no colo por um tempo e depois a devolvia no berço. Nessa hora eu já estava no melhor do sono. Às quatro da manhã, me sentia recuperada. Pronta para a maratona de mamadas e afazeres de mais um dia. Pronta para sobreviver na selva e garantir a sobrevivência da minha cria. 

Com o tempo, as obrigações mudam. Mas a vida selvagem dura pelo menos até a criança completar três anos. Aos poucos fui recuperando várias liberdades que haviam sido confiscadas pela maternidade. Hoje, com uma filha de dez anos, estou praticamente alforriada. Aproveito para respirar profundamente. Afinal, há quem diga que a verdadeira vida selvagem começa quando o filho chega à adolescência. Será mesmo? Que venha a nova selva, então. No lugar da leoa incansável, ela vai encontrar a leoa maleável. Muito mais do que era a moça que pariu aos 30 anos. A natureza é mesmo sábia. 

Por tudo isso (e muito mais), sempre me considerei uma mãe dedicada. Eu me achava uma ótima mãe até conhecer a mãe do Idryss Jordan. Perto do que ela faz pelo filho, o que fiz pela minha é uma espécie de passeio no parque, com direito a pipoca e algodão doce. Vida selvagem não é a minha. É a dela. Posso ser uma mãe dedicada. Ela é mãe coragem. 

Idryss Jordan tem 11 anos. É autista. Não é um daqueles autistas portadores da síndrome de Asperger (que falam, avançam nos estudos e podem até chegar ao mestrado, como eu contei numa reportagem publicada em ÉPOCA há dois anos). Idryss é um autista de baixo rendimento. Não fala, usa fralda, precisa ser vestido, trocado, alimentado e cuidado 24 horas por dia. Muitas vezes se debate e se torna agressivo. 

Aos 39 anos, Keli Mello, a mãe coragem, já precisou consertar os dentes da frente. Eles foram quebrados pelo filho. Se você acha que a criança que tem em casa lhe dá trabalho demais, espere até conhecer a história de Keli, uma gaúcha de Três de Maio que vive há duas décadas em São Paulo. Não sei de onde ela tira energia para enfrentar o que enfrenta. Por sorte (ou por destino), Keli é casada com Silvio Jerônimo de Teves, um pai coragem. 

A dedicação e o amor incondicional que esse casal oferece ao filho fazem qualquer um se arrepender de algum dia ter dito que criança dá trabalho demais. Quem tem um filho saudável não sabe o que é trabalho. Keli e Silvio vivem para o filho (e para a filha Hyandra, de 5 anos, que não tem a doença). Não podem trabalhar fora de casa. Quando o autismo do filho se manifestou, Keli abandonou o trabalho de auxiliar de fisioterapia. 

Virou artesã. No período em que Idryss está na escola, Keli faz panos de prato e toalhas. Silvio prepara o almoço e o jantar. Idryss não aceita comida esquentada. Se ela não for fresquinha, ele percebe e não come. Depois de cuidar da alimentação da família, Silvio sai para entregar as encomendas do artesanato que Keli produz. São movidos pelo amor e acreditam que o garoto é capaz de senti-lo e retribuí-lo. “Autista não é robô. Ele sabe amar. Se peço um beijo, Idryss me dá o rosto”, diz Keli. 

Nos momentos de grande agitação – quando Idryss se morde e pode agredir quem estiver perto – a única coisa que o acalma é o metrô. Isso mesmo. Ele tem fixação pelo metrô. Quando não consegue controlar o garoto, o que Keli faz? Pega o metrô na estação Tucuruvi e vai até o Jabaquara. Depois volta até o Tucuruvi. Se precisar, vai novamente ao Jabaquara e retorna ao Tucuruvi. 

Cruza São Paulo de norte a sul (são 23 estações em cada trecho) para acalmar Idryss. Na bolsa, leva o almoço do garoto acondicionado num pote plástico. Quando ele fica menos agitado, saltam na estação Parada Inglesa. Keli procura duas cadeiras vazias na beira dos trilhos, com vista privilegiada para o trem. Abre o pote, retira uma colher da bolsa e alimenta Idryss. A plataforma do metrô é sua sala de jantar. 

Conheci essa família há alguns dias quando fazia uma reportagem sobre o trabalho da dentista Adriana Gledys Zink. Ela será publicada amanhã (10/07) na edição impressa de Época. As famílias dos autistas enfrentam todo tipo de desassistência. Não encontram vagas em escolas preparadas para lidar com o problema, não encontram atendimento médico adequado e, como é de se imaginar, não encontrar dentistas dispostos a atender autistas. Quando essas crianças precisam de tratamento odontológico (mesmo que seja uma simples limpeza) costumam ser internadas num hospital para receber anestesia geral. 

“Mesmo quem pode pagar, não encontra dentistas dispostos a cuidar de autistas. Eles sequer vêem o paciente. Simplesmente informam que não os atendem”, diz Adriana. Ela decidiu tentar fazer diferente. Depois de se especializar em pacientes especiais na Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas (APCD), frequentar reuniões de famílias autistas e estudar os métodos de aprendizagem disponíveis, ela criou algumas técnicas que lhe permitem se aproximar desses pacientes. Na maior parte dos casos, ela consegue cuidar dos dentes dessas crianças (e também de adultos) no consultório, sem anestesia geral. 

O processo é longo. Exige extrema dedicação das famílias e da dentista. Às vezes, ela precisa de quatro sessões (ou mais) só para conseguir levar a criança até a cadeira. Quando isso não é possível e o procedimento necessário é simples (uma limpeza, por exemplo), atende a criança no chão. O entusiasmo de Adriana surpreendeu a família de Idryss. “Essa dentista não existe. Acho que estou sonhando. Ela senta no chão com meu filho, tenta de tudo e não olha no relógio para ver se a sessão acabou”, diz Keli. 

Se você quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho especialíssimo que Adriana e o marido (o dentista Marcelo Diniz de Pinho) realizam, acesse o blog. Para ver Adriana em ação e conhecer Keli e Idryss, assista a esse vídeo:http://www.youtube.com/user/zinkpinho#p/a/u/1/ou7PVTWnfoA

Keli, Idryss e Adriana me deram uma lição de vida. Agradeço todos os dias por ter uma profissão que me permite encontrar gente tão especial. Saio de cada reportagem melhor do que entrei. Graças à enorme generosidade dessa gente que confia em mim e divide tanto comigo. Muito obrigada a todos – mães e pais coragem, entrevistados e leitores. Saio de férias hoje. Essa coluna volta no dia 06 de agosto. Espero voltar com as baterias recarregadas e os sentidos bem calibrados para mais um semestre de intensa troca com vocês. Até lá.

Escovando os dentes de seu filho autista

  • RESPEITE O TEMPO QUE SEU FILHO PERMITE PARA ESCOVAR, AUMENTE ESSE TEMPO AOS POUCOS

  • DEIXE QUE ELE ASSISTA VOCÊ ESCOVANDO OS DENTES

  • DÊ UMA ESCOVA PARA ELE E FIQUE COM OUTRA

  • BRINQUE DE ESCOVAR

  • ASSIM QUE ELE COLOCAR A ESCOVA NA BOCA COMEMORE (BATA PALMAS, VIBRE, ETC)

  • PODE FAZER ISSO EM FRENTE A UM ESPELHO, SENTADOS NO CHÃO

  • DIVIDA A ESCOVAÇÃO  EM 4 PARTES: CADA LADO DE UMA VEZ E PODE SER EM MOMENTOS DIFERENTES PARA NÃO CANSAR, DE UM INTERVALO DE 30 MINUTOS PARA INICIAR OUTRO LADO, SUPERIOR E INFERIOR

  • ESCOVE O BRINQUEDO OU PERSONAGEM QUE ELE MAIS GOSTA (ABUSE DO LÚDICO)

  • CANTE MÚSICAS INFANTIS ENQUANTO ACESSA A BOCA (TENTE CRIAR UM REPERTÓRIO PARA CADA ATIVIDADE)

  • FIQUE FELIZ NESSE MOMENTO, MOSTRE PARA SEU FILHO QUE É FELIZ EM AJUDÁ-LO

  • USE ESCOVA MACIA E PASTA SEM FLÚOR

  • ACREDITE: VOCÊS JÁ CONSEGUIRAM COISAS PIORES PORQUE NÃO CONSEGUIRIAM ESCOVAR OS DENTES?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

QUARTA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO DE 2010


Técnica para tratar autista mais cedo traz benefícios


Crianças de 18 a 30 meses tiveram ganho de QI, comunicação e interação social.
Estudo pioneiro revela que bebês autistas evoluem bem quando submetidos a um tratamento intensivo e precoce, com ajuda dos pais.

Um estudo pioneiro da Universidade de Washington publicado hoje na "Pediatrics" revela que bebês com transtornos do espectro autista podem ter ganhos de comunicação, de interação social e de QI quando submetidos a uma intervenção intensiva precoce, a partir dos 18 meses de idade.

A pesquisa envolveu 48 crianças com 18 a 30 meses, separadas em dois grupos. Um deles recebeu 20 horas de um tratamento chamado ESDM (Early Start Denver Model) e cinco horas de terapia aplicada pelos pais, por semana. O grupo controle foi encaminhado para terapia em centros comunitários de Seattle (EUA).

Ao fim dos dois anos de estudo, o QI das crianças do grupo submetido ao ESDM subiu, em média, 18 pontos, em comparação a quatro pontos entre as do grupo controle. Sete crianças apresentaram uma melhora global significativa o bastante para que recebessem um diagnóstico mais leve, de distúrbio invasivo do desenvolvimento -no grupo controle, apenas uma chegou a tanto.

Para o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Projeto de Autismo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, apesar de o método ser aplicado há mais de 20 anos em crianças mais velhas, inclusive no Brasil, o trabalho é original ao revelar eficiência em uma faixa etária mais baixa. "Sabe-se que, quanto mais cedo se tem o diagnóstico, melhor, mas ninguém tinha feito um estudo grande assim."

O médico defende que o método seja aplicado [no serviço público] no Brasil "o mais urgente possível". "É muito mais barato investir quando a criança é pequena do que gastar bilhões com adultos e adolescentes, quando não se tem praticamente nada a fazer."

Ana Maria Mello, superintendente da AMA (Associação de Amigos do Autista), também é a favor de tratar cedo. "A intervenção precoce faz toda a diferença. A partir dos dois anos de idade, os resultados já são muito bons", afirma.

Luiz Celso Vilanova, chefe do Departamento de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acha a proposta positiva, mas faz uma ressalva. "Se esse método é melhor do que outros, não dá para saber [pelo estudo], mas ele é multidisciplinar, foi elaborado por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pediatras, neurologistas", afirma.

Segundo ele, poucos centros no país atendem o autista de maneira intensiva, como no estudo. Para Vadasz, sua aplicação não é viável na rede pública. "Na particular, custa de R$ 1.000 a R$ 2.500 por mês."

Diagnóstico
Segundo Vilanova, nem sempre é possível, aos 18 meses, diagnosticar o autismo infantil. "Mas posso colocar no grupo de distúrbio invasivo do desenvolvimento (doenças caracterizadas por dificuldade de interação social e de comunicação e por um repertório restrito de interesses e atividades, como o autismo) quando a criança tem comprometimento de linguagem, de habilidades motoras, comportamentos repetitivos. Há casos em que dá para saber, mas há outros em que não", diz.

O diagnóstico depende ainda do acesso aos serviços de saúde. "Em famílias mais ricas, tenho visto aos dois anos. No SUS, há crianças de cinco anos sem diagnóstico, que terão muito menos ganhos do que se tivessem iniciado o trabalho antes."

Mello afirma conhecer apenas um caso de diagnóstico de criança com menos de dois anos de idade, mas acredita que a tendência é que os médicos detectem a doença cada vez mais cedo, por terem maior acesso à informação.

Fonte:Folha de São Paulo, 01 de dezembro de 2009

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Como fazer o desfralde de Autistas?

Por: *Carolina Dutra Ramos



O atraso de desenvolvimento presente no autismo dificulta a aquisição de habilidades, diferentemente de pessoas com desenvolvimento típico, que a medida que crescem desenvolvem maior independência de modo gradual e progressivo. Com isto, é necessário que seja ensinado às pessoas com autismo tudo, até mesmo o que parece uma habilidade simples que ao longo da vida aprende-se de forma espontânea, para eles tem que ser ensinada.
Um problema levantado pelos pais de pessoas com autismo é a dificuldade em tirar a fralda dos filhos.
Inicialmente, o mais importante para começar o desfralde de alguma criança com autismo é ter em mente que será necessário paciência, persistência e confiança, porque para obtermos sucesso no desfralde, é indicado iniciar quanto mais cedo possível, em torno de dois anos e meio e três anos de idade. E ao tomar a decisão de iniciar o desfralde, a fralda não deverá mais ser colocada novamente na criança em nenhum momento seja para dormir, passear de carro, ficar na escola.
Como já foi explicado anteriormente crianças com autismo são diferentes de crianças com desenvolvimento típico, sendo assim sua mente fica confusa, sem saber quando pode fazer as necessidades na fralda ou não.
Pode ocorrer de algumas crianças segurarem suas necessidades até o momento em que é colocada a fralda, por fazerem associação de que xixi e cocô é só na fralda. Por isso é necessário que ela associe as suas necessidades agora ao vaso sanitário e não seja mais colocada a fralda.
É recomendado levar a criança ao banheiro com frequência, inicialmente com pequenos intervalos de tempo, deixando sempre a criança no vaso sanitário um tempo também inicialmente reduzido.
Começamos com os pequenos intervalos de tempo que devem ser aumentados conforme o desenvolvimento do ensino. Exemplo: iniciou-se o treinamento com um intervalo de dez em dez minutos, deixando a criança de 30 segundos a um minuto no vaso sanitário, foi observado que a criança está fazendo várias vezes as suas necessidades no vaso sanitário, com isso pode-se aumentar o intervalo de tempo de idas ao banheiro para 15 em 15 minutos e assim sucessivamente.
Sugere-se também registrar os horários em que ocorrem o xixi e o cocô para ser possível ter uma noção de seus horários e lhe dar uma idéia do tempo de intervalo que pode ser praticado com a criança.
O tempo que se permanece no banheiro tem que ser prazeroso, deve-se levar brinquedos, música, algo que seja bom e que a criança goste, para que a ida ao vaso sanitário seja positiva e reforçadora a ela.
Lembrando das palavrinhas chaves: paciência, persistência e confiança, deve-se durante a noite acordar para levar a criança ao banheiro também. Recomenda-se que não dê muito líquido a ela no período da noite. Se não for possível acordar a criança durante a noite, devido a um distúrbio de sono, que seja colocada a fralda com ela dormindo e retirada antes de acordar.
Quando fizerem qualquer necessidade no vaso sanitário, deve-se elogiar e reforçar com algo que a criança gosta. A questão do reforço é algo muito bom para obtermos resultados positivos, pois motiva as crianças. Os reforços podem ser: receber um brinquedo, ouvir a música que gosta, ver o DVD que gosta, ganhar uma guloseima (um pedaço de chocolate, bala, salgadinho), cantar para ele ou apenas um elogio social (Muito bem! Parabéns!) entre outras coisas que a criança goste.
Esses reforços também aos poucos vão sendo retirados, assim que a criança começa a associar suas necessidades fisiológicas ao banheiro e começa a obter o controle esfincteriano. A retirada também deve diminuir aos poucos, em alguns momentos damos, em outros não.
É importante ter sempre em mente que não tem um tempo certo para a criança aprender, cada uma tem seu tempo.
Para obter sucesso é fundamental que todos que estejam envolvidos com a criança ajam igualmente com ela. Se apenas quando ela estiver com os pais ficar sem fralda, mas quando for para a escola ou para a casa dos avôs ficar de fralda, o treinamento será muito sofrido para a criança e a possibilidade de dar certo será menor.
Quando a criança obteve o controle esfincteriano e aprendeu a usar o banheiro, o próximo passo a ser ensinado deve ser ensinar-se a limpar-se com menos apoio.
Como em qualquer ensino, o importante para que a criança obtenha maior nível de independência e autonomia é não fazer nada por eles, e sim com eles, ou seja, para ensiná-los a limpar-se é necessário dar apoio para a criança se limpar, apoiando fisicamente sua mão e retirar essa ajuda gradativamente, aos poucos.
É possível que algumas pessoas com autismo necessite sempre de um pequeno apoio, mas é necessário que não desista de ensiná-los para que possam alcançar pelo menos um pequeno nível de independência.
Durante o desfralde, deve-se ficar atento a alguns sinais que podem vir a prejudicar a criança, como segurar muito tempo a urina ou prisão de ventre. Inicialmente é normal ocorrer prisão de ventre, porém, caso ocorra com freqüência, causando mal estar à criança, é aconselhável procurar orientação médica, tanto para prisão de ventre, quanto para segurar muito tempo a urina – para que não ocorra uma infecção urinária.
Tudo isso é fundamental para dar a chance das crianças desenvolverem suas habilidades de forma mais autônoma e independente, para uma melhor qualidade de vida presente e futura.


*Carolina Dutra Ramos é pedagoga, com habilitação em educação especial e pós-graduada em Psicopedagogia, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trabalha na Associação Amigos do Autista (AMA), de São Paulo, desde 2004, e atualmente é coordenadora pedagógica das unidades Lavapés e Luis Gama da instituição.
E-mail: carol.dramos@uol.com.br